No ritmo do Carnaval.

Fevereiro de 2013, Guarapari – ES.

Carnaval.

 

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Captura da imagem:  Jupiter 9.

 

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Carnaval, a festa pagã.

Já há algum tempo eu venho com o pensamento de fazer um trabalho baseado no Carnaval, esta festa pagã que mexe tanto com o imaginário do Brasileiro e junta hordas de pessoas, sem distinção de raça, credo, cor ou poder social, numa das festas mais democráticas e empolgantes do mundo.


Sempre passo o Carnaval em Guarapari-ES e aqui não existe algo do gênero de cidades famosas como Salvador ou Olinda, por exemplo.

A movimentação é na rua, aliás, numa única rua e durante determinado período da noite, geralmente entre 22:00 h e 4:00 h do dia posterior.

Desfilam blocos de rua e pequenas agremiações, escolas de samba de pequeno porte.


A interação é total e acompanhei os desfiles, que seguem no esquema de Abadá e Pipoca pra quem conhece, ao lado da avenida onde pude captar cenas muito bacanas.

As lentes escolhidas para as capturas foram a CZJ Flektogon 35/2.4. e a Jupiter 9, sempre trabalhando com velocidade que variavam entre 0,4 e 2 segundos de exposição, e com as lentes sendo diafragmadas entre f/2,8 e f/16.



Nas cenas de rua, perto do público, diafragma quase todo aberto e sempre com velocidade ao redor de 1/40 segundos, congelando rostos, mas deixando borrões nos instrumentos que denunciavam o movimento frenético dos braços.

Algumas imagens são extremamente plásticas, buscam cenas e expressões e não tem preocupação maior com o foco, mas com o sentimento embutido e arraigado nelas.



É possível então imaginar o que é fazer parte disto, ao vivo, sentindo esta vibração.
Impossível não interagir e eu me joguei de corpo e alma junto ao público.

A coisa tomou um rumo tão sério e impregnante que nos momentos de intervalo entre os blocos eu, que nunca fui muito chegado a carnaval, pulava como pipoca.

Claro, consumi algumas Ice’s para entrar no clima, afinal não sou de ferro -risos- entretanto este recurso, dentro de um limite do aceitável ajuda a esquentar o clima e descontrair, e é usado por quase todos.

Nesta hora o pulsar da bateria ao seu lado invade o corpo, belisca a alma, sacode a mente e contamina qualquer mortal que tenha um pouquinho de emoção.

Os tamborins soam, fortes, presentes, vibrantes.
Tambores e bumbos fazem a marcação, pulsam com seus sons graves e invadem a avenida sem atravessar o samba.
É a bateria, o coração da escola, chamando o povo pra dançar.


Não é o Carnaval das agremiações, muitas vezes vendido pela pressão dos resultados dos que o bancam.
Não é o carnaval da TV, dos gringos, do espetáculo produzido a custa de dinheiro e promoção.

É o povo no seu esplendor, é a alma livre das ruas, o sentimento verdadeiro de uma espécie de religião nacional, que acaba com o corpo, mas que ao mesmo tempo o mantêm vivo e atento.


Arrepiante para quem vê e para quem participa.


Desde os integrantes do blocos e grupos, passando pela bateria e seus elementos de percussão, até os que não participam efetivamente dos desfiles … praticamente todos são contaminados pela festa.



Às vezes parece até que vemos coisas estranhas …



Pessoas com expressões de felicidade, tomadas pelo êxtase e emoção …



Despretensiosamente distraídas …



Crianças nos colos dos pais, participam alegremente, colaborando de forma suave e lúdica com a festa.


Fotógrafos ‘profissionais’.


Amadores e simpatizantes filmando e fotografando a festa …



Casais apaixonados se beijando em público, livres de qualquer espécie de pudor e preconceito.



Tudo cheira a sensualidade, alegria e comunhão entre os presentes.

As fantasias e seus apelos estéticos, sempre com muita cor, brilhos, extravagâncias, exageradas, alegres, sensuais … tudo colabora para a diversão e ninguém fica de fora.

É uma festa popular, pagã, mas é onde os súditos se transformam em reis.