Fotometria em contra-luz.

O contra luz é um condição complicada de fotografar.

A alta luminosidade e o contraste excessivo muitas vezes obriga o uso do flash para reter detalhes importantes nas áreas de sombra e baixas luzes.
Mas existe um desafio maior quando não se usa flash de preenchimento, que é o meu caso particular, pois não uso flash.
Recentemente fiz a foto abaixo e um amigo, o Edgard Thomas, me perguntou se …

“Sei que vc não usa flash; nem de preenchimento. Este resultado de fotometria em contra-luz, com detalhes nas sombras e nas altas, é mágica? “

Não há mágica alguma … mas acontece que a fotometria tem de ser muito afiada e precisa.

Aliada a técnica do UniWB, que eu uso permanentemente, a solução para a grande latitude da cena onde muitas vezes os sensores digitais não se saem bem, me parece melhor nos resultados finais.

Posso estender ao máximo a zona de altas luzes e mesmo assim reter detalhes importantes nas zonas de médias e baixas luzes, sem criar ruídos prejudiciais.

O que prova que por trás de algumas cenas consideradas simples, detalhes importantes e técnica adequada na maioria das vezes determinam um resultado muito satisfatório, mas que podem passar despercebidos a leigos e àqueles que não acreditam no estudo à serviço da plenitude.

A Kombi Azul Velha e sua composição.

Inicialmente postada num fórum de fotografia para análise, como teste de feedback e para testar a sagacidade dos que opinam, aqui explico minhas questões na criação e captura da cena.

É uma foto integrante de um álbum já postado anteriormente no meu Multiply, mas a dissecação pública da imagem veio agora.

A explicação foi dada inicialmente aos companheiros de Moderação do fórum e depois na seção onde foi exposta.

A principal coisa que me atraiu na foto foi a Kombi Azul Velha, muito fotogênica.
Eu olhava pra este carro há uns 15-20 dias diariamente estacionado na porta de minha casa.

Mas de alguma maneira eu teria de encontrar uma forma de reter o olhar e fazê-lo caminhar na cena sem que as pessoas notassem que estavam sendo conduzidas.

Os elementos são formas muito fortes e eles, assim pensei, seriam a chave pra isto.

A placa cortada (para que o carro não seja identificado) e a base do limpador de pára-brisas, circulados de vermelho, seriam as ancoragens de entrada e saída da cena – Nº 1= ENTRADA DO OLHAR.

Pulamos para o farolzinho de neblina, para o farol, para a lanterna velha (está amarelada por isto e não por desregulagem de WB como pensou um dos que emitiram opinião nas FC’s) e morremos lá em cima.

Retorno ao ponto inicial e novo passeio na cena.

É uma roda, vai em cima e volta em baixo, e recomeço – demarcados pelas setas pretas.

As linhas verdes são os terços da foto – pode haver uma diferença mínima porque fazendo aqui agora eu não medi fielmente as distâncias.

Outra coisa que me induziu foi o capricho do dono.

Esta Kombi está sempre limpinha assim e isto me encantava; um carrinho velho e bem cuidado, nada mais fotogênico.

Em cima disto tudo, fotometria bem rigorosa (que estava tão no limite que chegou a quase clipar na parte superior da lataria – abaixo do limpador de pára-brisas) e abertura suficiente para dar nitidez em toda a cena, creio que algo entre f/8 e f/11 conforme a velocidade indicada no fotômetro – não me lembro qual foi mas ela foi parte importante porque não queria elevar o ISO além de 200 e nem baixar de 1/50.

Assim eu examinei e entendi a cena; sim é uma Kombi e nada além disto, mas creio que podemos sempre brincar com o que fotografamos.

Foi usada uma Super Takumar 35/3.5 para captura.

Fotografia em RAW, UniWB e resultados obtidos.

Este é um mini-tutorial sobre a técnica de captura visando diminuição de ruídos em altos ISO’s e baixa luminosidade.

A técnica consiste em melhorar a captura de nossas fotos usando a melhor exposição possível (em qualidade) para que desta forma tenhamos mais informação disponível em nossas fotos.

Vale lembrar que destina-se em fotografias no formato RAW, pois é sobre este formato que as capturas têm mais qualidade.

Trata-se do que costumeiramente chamamos de “expor à direita” ou na língua inglesa (onde existem muitos artigos à respeito “exposure to right”.

Para isto, devemos antes de tudo ter o histogramam nos mostrando as verdadeiras informações sobre nossas fotos, e para isto, utilizamos a técnica de unificação dos wb, do raw e do jpeg embutido nele quando visualizamos o lcd de nossas cam’s.

É o chamado UniWB, ou WB unificado para o sistema raw.

1- O que é a técnica:

O UniWB é o wb unificado para captura em raw.

No sistema convencional de wb o histograma mostrado após a captura não é um histograma real, visto que a câmera nos mostra um jpeg acoplado ao raw para visualização das fotos no lcd.

Nos é mostrado então o histograma deste jpeg acoplado.

Ao pegar histograma real de qualquer foto feita no sistema de wb convencional, vc vai perceber que ainda existia mais capacidade de exposição da foto, e que não foi efetuada porque não se usou, na captura, as informações reais do histograma .

Ou seja, não se conseguiu extrair da cena a melhor fotometria visando expor corretamente a cena, porque ainda existe espaço para se avançar no histograma.

E explorar isto é encher o máximo possível a curva do histograma, deixando-o com o máximo possível de informação.

É o que chamamos expor à direita, para aproveitar estes pixels (pixels=informação e + informação=melhor foto).

No UniWB o histograma mostrado é o real histograma do raw.
Desta forma eu posso controlar minha exposição ao limite máximo anterior ao estouro das altas luzes.

2- O que buscamos?

O máximo de informação possível nas baixas luzes, porque tendo esta zona legível as zonas de altas são facilmente retornáveis via conversor.

Retornáveis significa dizer valores negativos em Exposure e/ou em Recovery.

Estes valores são setados em negativos porque quando formos abrir o raw no conversor todas as luzes ficarão erradamente estouradas.
Estouradas do ponto de vista inicial, mas totalmente legíveis quando adotamos o procedimento de recuperar estas informações.

O ‘truque’ é fazer com este histograma seja o mais longo possível.
Que encoste o máximo possível do lado direito da tela, mas SEM ultrapassar este limite, que é o que se fala muito de expor à direita.

Procurem na Internet literatura que fala sobre “Exposure to Right”, tem muita coisa interessante.

Quanto mais longo mais informação.

Quanto mais informação melhor o resultado da captura e melhor o resultado final.

Vale dizer uma coisa …

O UniWB não tem função alguma a não ser nos mostrar o real histograma do raw, que é onde nos basearemos para levar a exposição das fotos à direita, o máximo possível ANTES do estouro.

3- Como setar o UniWB:

Ponha uma tampa na lente e fotografe.
Pegue este valor de temperatura fornecido pela cam e sete como WB padrão.
Ou fotografe um céu azul, ou nublado, com uma exposição longa e c a lente toda aberta (1 segundo em f/1.4, por exemplo).

Sete o valor.

Prontinho, está configurado o UniWB, que deixa o jpeg acoplado usado para visualização com aparência verde.

Isto ocorre porque é natural, já que a matriz de bayer contém 2 pixels verdes para cada pixel azul e vermelho

O histograma é onde nos calçaremos para saber até onde podemos ir à direita do gráfico, apenas para isto.

Esqueçam a aparência (verde), importem-se com a informação.

Depois de capturada com qualidade, aí sim o próximo passo é ajustar no editor/conversor a aparência final.

É bom frisar que o gera o ruído na maior parte das vezes é o levantamento dos tons, ou seja, por exemplo, fazemos uma foto em iso 1600 e usamos uma configuração X.

Quando olhamos a foto no conversor vemos que ela está subexposta.
O que fazemos?

Vamos lá em exposure e setamos, por exemplo, + 0,75 para ela chegar no tom correto.
Este procedimento gera ruído.

Ao contrário não, porque a captura já levou em conta este aspecto.
Se temos uma foto aberta num conversor e ela está superexposta … ótimo.

Desde que esta superexposição seja contornável na edição.
Para sabermos se é contornável ou não usamos o histograma como parãmetro de informação, baseando-nos por ele.

E, para termos o REAL HISTOGRAMA DO RAW, só através do UniWB, porque o histograma do jpeg acoplado ao raw é falso, pois trata-se do HISTOGRAMA DO JPEG.

Apenas a título de informação, aqui vai a minha captura original de uma foto setada com UniWB e seu posterior resultado depois de tratada:

a- Captura Original em UniWB.

UniWB

b- Foto tratada, via editor LR.

UniWB tratado.

4- Equipamento utilizado:

4.1- DSLR Sony Alpha 700.

4.2- Objetiva Super Takumar 35/3.5.

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Obrigado por ver.