Em foco: Trotatorres (Leonardo Azevedo)

1- Fale um pouco de você e nos apresente uma foto sua para que possamos conhecê-lo melhor.

Tudo bem Peri? É uma honra ser convidado por você para essa entrevista, obrigado mesmo. Começou logo com uma pergunta difícil, me sinto um pouco desconfortável pra falar de mim mesmo, mas vamos lá.

Leonardo, 33 anos, casado com minha amada Clarisa, sem filhos (por enquanto), graduado em direito e trabalhando atualmente no Ministério Público Estadual aqui do Rio. Bem, essa é a parte básica e formal, agora falo do que realmente sou e o que formou minha forma de fotografar e ver o mundo.

Interesso-me por muitas coisas além da fotografia, vivo na cidade mais gostosa que há pra se viver, amo remar em suas águas, pedalar por suas montanhas e fotografar suas paisagens.

Contudo, meu atual e creio que principal interesse é a filosofia oriental, focada no Budismo. Aliás, gosto de pensar que sou um “zen-fotógrafo-viajante”, sendo um completo apaixonado pelo nosso planeta e suas regiões naturais.

Tenho verdadeira devoção por viagens e elas são o que realmente me movem e alimentam a minha alma e, imagino, ou gostaria fosse assim (risos), tais coisas tem grande influência na forma como fotografo.

Esta do ano passado, numa viagem de bicicleta, estou acampado em peulla, a meio caminho entre Chile e Argentina, também na Patagônia.

2- Como e quando surgiu esse seu interesse pela fotografia?Vc se lembra de seu 1º equipamento fotográfico?

Meu real interesse pela fotografia devo a meu tio Luli, que lá pela década de 90 me apresentou sua canon f1 com sua 50 f1.4 e umas apostilas com conceitos básicos de fotografia.

Aquele visor gigante e claro me fez querersair por ai fotografando e foi o que eu fiz em 97 pela Bolívia e Peru, também influenciado pelo tio Luli, que tinha feita mesma viagem lá pelos 80… mas agora eu já portava minha própria canon EOS 500 presenteada pelos meus queridos pais. Foram uns 10 rolos de pro-image, um tri-x e um cromo que não me lembro. De lá pra cá não parei mais.

3- Seguindo os passos de teu tio, e incentivado inclusive por teus pais, o que eles pensam hoje em dia quando veem este caminho que vc vem seguindo?

Na verdade acho que não aguentam mais assessões intermináveis de fotos depois que volto das viagens, rsrsrrs é que tenho que explicar cada uma né…rsrs … brincadeira. Eles curtem esse “suposto” despojamento das minhas viagens. Meu pai curte muito um conforto e minha mãe gosta de qualquer foto que eu faça. Dei pra ela um foto livro da Bolívia e mais parecia que estava expondo em Milão…ela adorou.

4- Pelo seu relato, Leonardo, o prazer de viajar e retratar isto está impregnado em você.
Gostaria que vc contasse algumas passagens interessantes, mesmo que sejam perrengues, destas suas incursões mundo afora.
Se puder, inclua algumas fotos para nos situar melhor nas histórias.

Não sei realmente qual o processo mental que leva as pessoas à terem as melhores recordações dos momentos mais difíceis…pelo menos minhas grandes memórias fotográficas foram em situações um pouco mais difíceis…

Me recordo de uma viagem que fiz em 2007 pra fotografar a região de el chalten,Patagônia Argentina, em pleno outono. Foram dia gelados e paisagens outonais de tirar o fôlego. Depois de uma longa viagem de avião pra Buenos Aires – Elcalafate e depois ônibus pra El Chalten, meu primeiro destino no parque era Alaguna Capri. Parti sozinho com uma mochila enorme nas costas, dois sacos de dormir, barraca, câmera digital e de filme e comida para uns 4 dias…depois de muita caminhada sobre neve congelada cheguei naquele lugar fantástico, e absolutamente vazio, muito diferente do que acontece no verão. Passei o dia fotografando até o cair da tarde, gelado e na companhia de uma garrafa térmica com chocolate.

Não posso deixar de mencionar outra viagem à Patagônia, essa em companhia do Flávio Varricchio (maui) em outubo de 2009, quando fomos tentar dar a volta completa no maciço Paine no parque Nacional Torres del Paine (Patagônia Chilena) e claro, fotografar. Dos 12 dias de caminhada, 11 foram de tempo de ruim a péssimo, com neve em quase todos eles. Claro, sem esquecer-se da mochila contendo, além de material básico de camping, um corpo de câmera, 3 lentes, 5 baterias, filtros, tripé e comida pra duas semanas.

Com 32kg sobre as costas, muitos kms caminhados com um enorme esforço, fomos forçados a dar meia volta devido à neve, isso depois de 2 noites aguardando o clima daruma trégua. Por sorte encontramos nosso “ônibus mágico” (em referência ao ônibus onde Cristopher Maccandless, personagem real do livro na natureza selvagem, passou o inverno sozinho no Alaska), que na verdade era um refúgio com duas camas e um fogão à lenha.

Foto: Flávio Varricchio.

Foram dias bem solitários e totalmente dedicados à fotografia e à contemplação silenciosa….isso quando eu e o Flávio não estávamos comentando o que comeríamos quando voltássemos à “civilização”, hehe.

Depois destes dias de gelo, voei diretamente de Punta Arenas para Santiago – onde encontrei outro amigo – e Ilha de Páscoa, que lembro a todos, fica na Polinésia…bem, chegando lá o fenômeno el niño tinha feito um estrago com o clima, e foram 6 dias de chuva quase ininterruptas…haha meu sonho polinésio de praia não se concretizou, mas pude fazer fotos de que gosto muito.

5- Trota, e a Clarissa nesta história toda?
Te pergunto isto porque eu também tenho minhas preferências e muitas vezes sou, confesso, um pouco egoísta com elas.E minha esposa sempre me apoiou em tudo que faço, de modos que sei a importância de termos ao nosso lado alguém a nos apoiar nestas “maluquices”.
O espaço fica a seu inteiro dispor para, inclusive, render uma homenagem … ou uma declaração de amor … – risos

Conheci uma pessoa fantástica e me casei com ela… e minha sorte (talvez não tenha nada a ver com sorte, rs) é termos nossos interesses e visão de mundo muito semelhantes…nisso incluído nossa paixão por grande viagens, travessias, remadas, longas pedaladas…e não somente quando estamos nelas juntas, pois, quando não podemos juntos, Clarisa faz questão, quase me obriga a ir, mesmo que sozinho, pois ela sabe que isso me completa,faz de mim o que sou e o que quero ser…e a amo por tudo que ela é, pelo que ela abriu mão para estarmos juntos e pelo seu desprendimento e ausência de egoísmo…

Clari, te amo.

Parabéns pela esposa que tens e pelo apoio que ela lhe dá, isto é muito importante pra gente encarar esta pedreira que é a vida hoje em dia.
E uma belíssima declaração sua, com imagens muito bonitas dela.

Fazemos aqui um pequeno adendo para ouvir também a Clarissa, esposa do Trota e uma de suas grandes incentivadoras:

5- Clarissa, acabamos de ler uma bela declaração de amor do Leonardo e dá claramente para perceber o respeito, admiração e interação entre vocês.
Como é participar e compartilhar, além da vida em comum, das mesmas preferências e gostos?

Além da sorte de conhecer-nos em meio a uma viagem, nos confins da Bolívia, éramos muito jovens, desta forma acabamos moldando nossas preferências, hobbys, paixões,um em função do outro. Já éramos parecidos no nosso jeito de ver o mundo então, não foi difícil.

6- Você acha que esta convivência é facilitada em função disto?
De que forma a fotografia se insere na vida de vocês dois, o que ela trás de positivo e, também, por que não, negativo?

Facilita sim, mas não é o suficiente.

Acredito que confiança é fundamental. Aprendemos isso com de forma bem prática, poisnamoramos a distância por longo tempo.

Creio que baseados nisso temos um relacionamento respeitosocom relação à individualidade de cada um, deixando totalmente à vontade a outrapessoa…isso incluindo as viagens,fotografia, etc…

7- Creio que você participa destas aventuras junto com o Léo, que lembranças legais você poderia nos contar como curiosidade?Se possível inclua algumas imagens.

São tantas….a mais “curiosa” que eu me lembro agora foi uma caminhada que fizemos em 98 em torres del paine, na patagônia chilena. A caminhada poderia ser classificada de exigente, o clima é totalmente instável, chove, venta muito, etc…e são muitos e muitos kms, uns 70 eu acho. E fomos munidos de calça jeans, tênis de passeio, o Léo com um suéter de lã e blusas dea lgodão, eu não muito atrás em termos de equipamento…os sacos de dormir eram pra praia e a nossa barraca era uma capri, dessas que se compram em supermercado…ruins até pra acampar no quintal! Rsrsrrs pela noite ventava tanto que tínhamos que encher a barraca com pedras e amarrá-la em arbustos com o cadarço dos tênis…acabamos a caminhada depois de 6 dias são e salvos e definitivamente apaixonados pela patagônia, onde voltamos diversas vezes (o Léo mais ainda, se tornou um fanático).

Não tenho nenhuma foto dessa viagem digitalizada, infelizmente….então destaco três de uma viagem à patagônia em 2004, onde passamos 17 dias caminhando pelo Parque Nacional Los Glaciares, na região de El Chalten (Argentina).

Foram lindos dias, onde nossa barraca era nossa casa e nossos sacos de dormir nossas camas:

Passamos o natal acampados aos pés do monte Fitz Roy, essafoi nossa árvore de natal…rs

mas qualquer cansaço valeu à pena com paisagens como essa:

8- Trota, você vem falando sobra a sua quase necessidade em viajar e retratar todos estes lugares lindos que as imagens mostram.
Mas, curiosamente, você é residente de uma das cidades mais lindas do mundo, o Rio de Janeiro.
Já passou pela tua cabeça que você nem precisa ir muito longe para ter imagens magníficas?
Ou o costume de viver aí no Rio já te “cegou” para as maravilhas que a cidade oferece?

Agradeço todo santo dia por viver no Rio e nesse cantinho mágico que é a Urca…seja quando saio remando antes do sol nascer pela baia de Guanabara, seja voltando à pé do trabalho vendo as luzes do final de tarde pintarem o corcovado, os barquinhos na enseada, o pão de açúcar…

Aliás,quando se mergulha de uma canoa havaiana às 6:30 da manhã na “boca da barra” (passagem da baia de Guanabara com o mar), não há como não se pensar, ou mesmo ter certeza, que vivemos num planeta magnífico e temos que aproveitar cada minutinho que temos nele. (desculpe o clichê, mas além de pensar nisso, eu sinto).

Quanto à fotografia do Rio, tenho fases…fases das longas exposições noturnas em PB,fase dos retratos à beira mar, fase dos nasceres do sol….mas não possuo um trabalho mais consistente, não me dedico realmente a retratar algum aspecto da cidade. Recentemente ando fotografando mais com os olhos do que efetivamente coma câmera (risos), tenho visto cenas espetaculares, mas sem a câmera na mão…de qualquer forma, creio que são assim que as fotos surgem, não?

9- Seguindo na mesma linha da pergunta anterior, nos mostre algumas fotos de sua cidade natal que você tenha feito e que você entenda e pense que são imagens que lhe dão orgulho de ser um carioca da gema.
Nos mostre, se possível, que o Rio de Janeiro é realmente a “cidade maravilhosa”.

Vou tentarmostrar algumas fotos, divididas por “estilo”, em geral feitas aqui pelo bairro mesmo. Poxa, mas a enseada de botafogo e a urca são o Rio…as partes da cidadeque formam o que se imagina ser o Rio…o Rio imaginário, sem as grandes mazelasque ele possui.

” Recentemente ando fotografando mais com os olhos do que efetivamente coma câmera (risos), tenho visto cenas espetaculares, mas sem a câmera na mão…de qualquer forma, creio que são assim que as fotos surgem, não? “ – Leonardo Azevedo.

10- Não acha um pouco frustrante? – risos

Definitivamente não…simplesmente aceito a minha condição de “não portador no momento de uma câmera” e sigo em frente, muitas vezes bem rápido pra pegar a câmera em casa (risos).

Na verdade, me frustro fotograficamente quando não consigo colocar em prática uma foto da forma que a imaginei, me explicando melhor, quando não consigo traduzir na foto a imagem que gostaria de ter feito.

E agrego, sempre por culpa minha, esquecendo a carência de um equipamento que por ventura não tenha no momento, até porque, não poderia imaginar uma foto que não poderia ser executada com o que tenho à mão no momento.

Recordo-me, também, de algumas outras frustrações, mas agora por excesso de equipamento … lembro de uma viagem que levei uma DSLR digital, uma Nikon FM e uma Rolleiflex, acabei não fotografando direito com nenhuma das câmeras…

11- Trota, quais suas influências na fotografia e por quê?
Destaque algumas imagens destas pessoas que você considere importante para seu aprimoramento e/ou desenvolvimento, seja de linguagem ou até mesmo pessoal.

Peri, poderia citar centenas de fotógrafos, famosos ou não, mas vou me restringir a um punhado ou menos deles…

Vou começar por um bem conhecido nosso, que já desponta no cenário da fotografia de paisagens no Brasil, o Flávio Varricchio (maui). Aprendi muito, mas muito com ele e sigo aprendendo. Perseverança, dedicação, conhecimento absoluto das ferramentas que necessita para a fotografia que ele faz e talento, sensibilidade.

Apesar de já ter lido frases dele, no sentido que sua fotografia é muito técnica e descritiva da paisagem, eu discordo, pois muitas de suas fotos possuem grande carga de emoção…vou tentar postar algumas que exemplificam isso…


Laguna Capri, Parque Nacional Los Glaciares, Patagônia Argentina por Flávio Varricchio.


Cachoeira Véu da Noiva, Petrópolis, Parque Nacional da Serra dos Orgãos-RJ, por Flávio Varricchio.


Escalavradoe Dedo de Nossa Senhora entre as nuvens, Parque Nacional da Serra dos Orgãos -RJ por Flávio Varricchio.

E é bom que lembremos, o Flávio foi entrevistado também – Em foco: Flávio Varricchio(maui)

Um fotógrafo que admiro muito e possui grande influência no que quero pra minha fotografia é o Michael Kenna, com suas profundas e simples longas exposições em Pb…fotos tocantes, composições simples e muito emocionais. Adoro suas fotos.

Não posso esquecer o Nanã Sousa Dias e sua fotografia “marítima” da costa portuguesa, que são absolutamente inspiradoras…tanto por suas composições, quanto pelos tons fantásticos de cinza que ele consegue em suas fotos:

12- Hoje em dia vemos que toda a informação importante (e nos diversos assuntos disponíveis) vêm aos poucos convergindo à Internet.
Um bom exemplo disto é a extinção da edição física do Jornal do Brasil, um dos periódicos mais importantes deste país.
Seguindo esta linha, qual a importância que você percebe da Internet hoje em dia na fotografia?
E que importância você confere a fóruns e/ou listas de discussões neste processo?

A internet transformou de forma brutal a relação que temos com a fotografia e as fotos em geral e toda essa transformação, e o meu sentir, foi pra melhor. Pense no acesso que temos hoje à obra de qualquer fotógrafo, seja profissional ou amador. Pense na interação, troca de experiências, técnicas e aprendizado, tudo ao alcance de um teclado nos diversos fóruns de discussão.

Meu acesso à técnica fotográfica e informações fotográficas em geral, quando comecei a fotografar na década de 90 eram a revista fotografe melhor e as revistas National Geographic e caminhos da terra, estas duas últimas onde se podia ver, aprender e admirar fotografia de paisagem de boa qualidade.

E hoje? O acesso é infinito, basta querer e pesquisar.

13- Se realmente existe, qual é a mágica da fotografia para você?

A mágica fotográfica existe na medida em que ela me serve de estopim para estar e ir aos lugares que amo, fazendo as coisas que amo.

14- Léo, apesar de quase óbvio, por que “trotatorres”?De onde vem e o que significa este nick?

É simples e quase decepcionante a resposta, rs. Em 2001 fiz uma longa viagem pela patagônia pra fazer trekking e montanhismo. Na volta resolvi fazer um site com informações sobre as montanhas e trilhas da região. O primeiro nome para o site era trotramundos, mas já existia no HPG (servidor que na época oferecia gratuitamente a hospedagem), então substituí o “mundos” por torres, devido ao parque nacional TORRES del paine. Dai em diante passei a adotar o nick trotatorres somente como forma de divulgação deste meu site (já extinto). Simples né…

É … -risos.
Como eu tinha dito, simples e óbvio … mas eu não poderia de perguntar.
Realmente as imagens do Flávio são belíssimas e retratam bem o estilo de vida que ele resolveu levar.

15- Trota, andei olhando seu Flickr e me deparei com este álbum sobre o Caminho de Santiago:Camino de Santiago.

Abaixo algumas fotos do álbum como aperitivo:

Todos que fazem o caminho falam em revelações, em passagens, em experiências, etc.
Que coisas legais você poderia contar sobre esta aventura?

Essa era uma viagem que eu tinha na cabeça desde a infância, passando pela juventude, quando eu e a Clari passamos a pensarmos nela já como um sonho do casal…e felizmente, já adultos, conseguimos finalmente colocarmos os pés nessa estrada.Então, quando começamos a subir os Pirineus, ainda na França, aquilo era quase que irreal, algo pensando durante mais de uma década…foi uma sensação estranha caminhar aqueles primeiros kms…

O caminho de Santiago é quase que um sonho, uma grande suspensão de tudo. Você não faz nada durante um mês, que não seja caminhar pelo menos 25 kms por dia, atravessando um pais inteiro em direção à uma Igreja, do outro lado de uma península…é uma viagem pela história da Espanha, suas pessoas, vinhos,comidas…uma verdadeira jornada épica (haha).

Você perguntou por momentos, poderia lembrar de muitos, nossa entrada na praça do Obradoiro (a praça da catedral de Santiago), ao som de gaitas de fole, poderia lembrar das noitadas com cantoria ao lado dos Catalãs, mas algo realmente nos marcou foi um encontro com pequenos estudantes, voltando pra casa no final de uma tarde.

Estávamos na província de Rioja, já tínhamos caminhado pelos menos uns 25km e ainda faltavam uns 5.As pernas mal respondiam, os pés doíam demais, quando em um caminho de terra entre dois povoados, cruzamos com uma turma de crianças de uns 10 anos andando em fila indiana…um começou a dizer “buen camino” (expressão de incentivo muito comum no caminho, quase todos o dizem quando cruzam com um pelegrino, moradores, outros pelegrinos…), e foram-se seguindo os “buen camino”, até que se tornou quase uníssono, todos gritando!

Cara, meus olhos me se enchem d’água pensando naquele momento…aquilo nos deu uma força descomunal e chegamos com facilidadeao destino.

Puxa que barato isto, e lendo sua resposta me vem uma pergunta inevitável:

16 – Você acredita em Deus?Ou algo neste sentido?
E, se não acreditava, alguma coisa mudou a partir do momento que você fez a caminhada?

Peri, tá querendo me colocar numa enrascada hein … -rsrsrsr.

Penso nesses temas há pelo menos 20 anos, com nenhuma conclusão concreta, claro…. Aliás, quem tem?

Tento apenas levar uma vida tranquila, de compaixão, fazendo o bem e tentando entender a coisa toda…mais que entender de maneira formal, sentir e coisa toda, pois definitivamente a existência não é passível de entendimento como concebemos de forma racional

17- Alguma passagem no caminho em que você possa citar em que sentiu a presença Dele?
Ou não houve nenhuma experiência tão reveladora assim?

Não não…talvez na missa em homenagem aos Peregrinos (é realizada todos os dias uma missa ao meio dia em homenagem aos Peregrinos que chegaram à Santiago naquele dia, citando os nomes, País e local de onde começaram o caminho), ao mentalizar todas as pessoas que amo e pedir por elas, tenha sentido uma elevação… sei lá, mas credito isso mais que nada à emoção da chegada, as recordações daquele mês inteiro caminhando, etc…

18- Trota … ” o tempo destrói, cura, amacia…. ” ??? Por quê ???

Atribui-se tal frase a Buda, que teria dito aos discípulos: “ O que eu vos ensinei é comparável às folhas em minha mão, o que eu não vos ensinei é comparável à quantidade de folhas na floresta. ”

Qualquer coisa que eu disser aqui, creio eu, não fará sentido pra ninguém…. aliás, nem me lembro que escrevi isso … hahahahhaha

Você escreveu há pouco tempo aqui mesmo no BrFoto, mas não me recordo agora qual o tópico … por isto a provocação. – risos

19- Trota, achei um barato este bate-papo, descontraído e num ritmo muito agradável.
Alguma coisa que você ache que não foi perguntado e gostaria de acrescentar?

Gostaria de agradecer sua iniciativa com essas entrevistas que promove aqui e no digiforum, onde podemos conhecer um pouco mais dos colegas de forum, sua forma de pensar e o que move a fotografia de cada entrevistado.

Aliás, creio que foi o Ivan de Almeida quem disse isso – “cada um fotografa o que é”, … não tem como fugir.

Abraços, e muito obrigado pela paciência pra esperar minhas sempre atrasadas respostas.

Na verdade o agradecimento é mútuo e aproveito para deixar também um agradecimento especial à Clarissa, que também topou dizer algumas palavras.

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