Fotografando a vida.

Ultimamente tenho visto muitas pessoas buscando assuntos para fotografar que se baseiam em ambientes com forte presença de beleza, sejam paisagens, pássaros, ou outros assuntos que rendam fotos plasticamente bonitas.

Indo em um caminho inverso, eu nunca me interessei muito pela beleza demonstrada nas fotografias que faço.

Entendo que não há caminho certo nem errado, todos somos livres para buscar as imagens que nos agradam e fotografar os assuntos que nos inspiram.

Gosto de fotografar a vida que me cerca e invariavelmente me interesso por assuntos que não possuem ‘beleza’.

Nestes 3 útimos dias fiz 2 séries de imagens em que a apresentação “visual” não está calçada na beleza literal das imagens.

Mas me encantam por serem partes do mundo que me cerca, da vida que eu vivo dia a dia e pelas maneiras que eu achei em resolver os assuntos e tirar o melhor proveito das cenas.

Para isto, as composições são minuciosas e os momentos de clique executados numa fração de segundo tal que, se passados, inviabilizariam as capturas.

A 1ª série diz respeito a um grupo de pedreiros que rebocavam um muro perto de minha casa, e renderam fotos muito bacanas, das quais mostro as 2 abaixo:

A 2ª série foi feita hoje, quando um grupo de marceneiros veio em minha casa acabar um serviço que faltava.

Também mostro 2 exemplos abaixo:

Definitivamente não são fotos bonitas.

Mas são belas por mostrarem a vida que nós conhecemos e que muitos relevam, ou não percebem.

As 2 séries estão disponíveis nos endereços a seguir:

1- Janelas.

2- Terminando …

A série 1 foi feita com uma Helios 44M6.

A série 2 foi feita com uma CZJ Flektogon 35/2.4.

Anúncios

8 comentários sobre “Fotografando a vida.

  1. Fotografando o que nos cerca damos depoimento do que de fato conhecemos. Já a fotografia estereotipada não tem conteúdo nenhum.

    Belo é um outro caso. A primeira foto do artigo é bonita, claramente bonita. Não é aquilo que as pessoas esperam, mas isso não é culpa da foto e sim da expectativa estereotipada.

    • Acredito que o tipo de foto que gosto de fazer (muitas delas inspiradas por fotos suas) é de pouca atratatividade quando pensamos nas produções que vemos atualmente.
      Absolutamente estou em busca de imagens que agradem a terceiros, portanto na maioria das vezes estou fotografando para mim mesmo, para meu próprio umbigo.
      Afinal, a beleza está nos olhos de quem vê, não é? -rs

      Abraços, Ivan.

  2. Quando diz que não procura a beleza, não concordo. A beleza tem múltiplas facetas. Veja-se os quadros de Picasso na era cubista. Têm beleza? Quantos de nós não lha reconhecemos? A beleza está nas essências e nem todos estão preparados para a vislumbrar. O conceito “beleza” é vastissamente relativo. Basta analisá-lo ao longo dos tempos.
    As imagens que procura plasmar, mercê do seu ponto de vista, não duvide, têm imensa beleza, na essência do próprio conceito.
    Uma das imagens mais belas que presenciei foi uma velhota, de idade incerta, em foto a preto-e-branco. As feições castigadas pelo tempo, fotografadas, realçando os efeitos de luz nas irregularidades da face, fizeram desta foto um momento quase divino.
    Portanto, meu amigo, você está fotografando beleza, reconheça-o e assuma-o.

    • Sim, Luíz.
      Mas no caso específico deste mini-artigo, que é um pensamento recorrente, falo especificamente da beleza estética mesmo.
      De retratar o belo e o “magnífico” que muitos buscam e acham que, quando encontram (e acredite-me, existem sim assuntos lindos) acham que encontraram o ‘elo perdido’.
      É sobre isto que falo.
      Eu, particularmente, não busco isto, e é neste sentido o meu pensamento.

      Abraços no amigo.
      Peri.

  3. Meu caro

    Claro que ambos temos consciência que existem assuntos muito belos.
    Prevejo que o meu amigo ainda nos vai surpreender mais quando buscar o que não tem buscado (usando os seus termos).
    Isto acontecerá quando a oportunidade se lhe apresentar. Sem esforço, pois dá para perceber que não tem ambições neste domínio.
    Abraços

  4. Peri,

    Apresentar beleza do que é simples, do que é rústico é talento. Já apresentar beleza do que já é belo para o senso comum é reproduzir.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s