Em foco: Paulo Machado.

Dr. Paulo, sempre inciamos assim:
Me trace um breve perfil, se possível c a inclusão de uma foto.

Vamos lá, Peri.
Tenho 45 anos, nasci no Rio e sempre morei aqui, sou médico cardiologista, formado há 20 anos.
Comecei a fotografar com uns 12 anos, quando ganhei uma câmera da kodak, série Istamatic, que usava filme 126 que vinha em cartuchos, coisas de museu. Sempre fui o “fotógrafo” da família.
Com o tempo houve altos e baixos com relação a fotografia, umas épocas mais ativo, outras mais devagar. Com a minha primeira digital, em 2004 se não me engano, ficou bem mais fácil, e de lá para cá nunca mais parei.

2- Por que médicos gostam tanto de fotografia? – rs

Acho que é só para desestressar. vale qualquer coisa. Conheço quem corra, quem veleje e até quem fotografe. rs

3- Dr.Paulo, sei do seu envolvimento c a fotografia de filme, inclusive vc me mandou há algum tempo uns químicos de revelação.
Com o avanço e a popularização do digital a que estágio vc acredita que o filme está, especificamente no Brasil e lá fora?
Ainda vale à pena usar filme?

Acho que no mundo o filme está com os dias contados, será um mercado de nicho para poucas pessoas.
Para mim a digital já substituiu o cromo e o negativo, não por ser melhor, mas por ser muito mais prático. Cromo é caro, difícil de ter onde revelar e o escaneamento no meu scanner caseiro não dá resultado muito bom. Com o negativo a gente fica refém do laboratório, que frequentemente tem um resultado ruim. Já filme PB é outra negócio, posso revelar e escanear em casa, ficando dono de todo o workflow, além do resultado ser muito melhor do que digital.

4- Que equipamento você tem usado e como ele influencia em seu modo de fotografar?

A minha câmera atual é uma Sony A100, com mais lentes do que realmente preciso, e uma Panasonic LX3. Além das câmeras de filme, claro, uma Minolta Maxxum 5, uma 7 e uma Yashica mat.
Mas o equipamento para mim não é muito importante, o que tiver em mãos está ótimo. Mais importante é a busca pela melhor luz, pela composição, como diz o ditado “F8 and be there”.
O que não pode faltar é uma grande angular.
E ultimamente a compacta me dá mais prazer do que a DSLR. Por ser menor e mais leve dá para carregar para todo o lado e as pessoas não ficam intimidadas com uma compacta como ficam com a A100.

5- Há algum tempo atrás, quando o Clube Sony foi iniciado no DF, vc foi um dos primeiros a adquirir uma Sony Alpha.
À época vc sentiu na pele alguma espécie de discriminação por usar equipamento Sony?
E hj em dia, como vc vê a relação Sony x Canon x Nikon em termos de qualidade de imagem e equipamentos?

Na verdade eu comprei uma Sony por causa das lentes que eu tinha, usava em uma Minolta 5D que deu defeito e até hoje está largada aqui no armário.
Escolhi a Minolta, e depois a Sony por consequência, por causa da estabilização no corpo e por causa das famosas cores da Minolta.
Discriminação nunca senti, só interesse de conhecer a marca por parte dos colegas.
Acho que a qualidade de imagem hoje em dia é muito alta e as marcas se diferenciam por detalhes. Tenho certeza que qualquer das marcas me satisfaria completamente.

6- Depois de escolhida a Sony (por causa da Minolta) vc achou que valeu à pena, foi o que vc esperava?

Valeu porque foi uma câmera usada e estava no meu orçamento.
Como eu já conhecia os pontos fortes e fracos dela não fo inenhuma surpresa. Os fracos não atrapalham o meu estilo de foto.
A Sony tem uma qualidade pouco comentada, que são as cores. Não são todas as câmeras, mas a A700, 850 e 900 são muito boas, assim como as NEX agora. Eu considero melhor do que a Nikon e bem melhor do que a Canon neste quesito.

7- Mas se isto for dito numa roda de fotografia vai causar uma polêmica …

Ainda bem que o Iliah Borg concorda comigo, pelo menos quanto a A900.

http://forums.dpreview.com/forums/read.asp?forum=1021&message=31131813

8- Dr. Paulo, falando de influências fotográficas, quais são as suas?
Baseado nestas influências, o que você acha que transmite delas para o tipo de fotografia que você faz, e que tipo de fotografia mais lhe agrada em fazer?

Os fotógrafos que mais gosto são Ansel Adams, Cartier-Bresson, Sebastião Salgado, Galen Rowel, Araquém Alcântara, Evandro Teixeira, só para ficar nos famosos.

Um site de fotos que gosto muito é este, fotos de paisagem.

http://www.outdoor-photos.com/

E uma revista que merece destaque para mim é a National Geographic. O trabalho dos fotógrafos que eles fazem é maravilhoso
Estes fotógrafos conhecidos ou anônimos me inspiram na busca pela melhor luz, pelo local especial, nada como uma caminhada e depois um por do sol em um local especial.
O tipo de foto que mais gosto é de paisagens.

9- Voltando nossa atenção para a parte de equipamento.
Você comentou da provável extinção do filme.Se não extinção uma dificuldade maior em função de todo o processo que o filme envolve.
Fotografar, revelar, escanear e aí a mídia internet em si, levando-se em conta que grande parte da fotografia feita hj em dia ter como destino final a web.
Agora vamos na outra ponta e vemos o enorme desenvolvimento da fotografia digital, mais prática, rápida e “disponível ao mundo” (em visualização) em segundos.
Agora a Sony lançou a NEX e tem investido no campo da eliminação do espelho nas DSLR’s.
O que vc acha disto?
Onde vc aha que pode ser o limite de desenvolvimento das DSLR especificamente?
Fale tb um pouco sobre suas impresões sobre a NEX (se quiser poste algumas fotos).

Engraçado que recentemente a Kodak lançou um novo filme, o Portra 400, otimizado para ser escaneado. Quando a gente acho que está acabando, o filme mostra força. Falta aos grandes fabricantes investirem em desenvolvimento de scanner e câmeras de filme novas, quem sabe tem mercado para isto.

O que mantém os usuários fiéis as DSLR e por consequência ao espelho é o viewfinder ótico com sua enorme clareza da imagem. Mas e se um EVF chegar lá, como justificar o espelho? E nas DSLR de entrada, em que o viewfinder não é lá estas coisas?
Já li fotógrafos que defendem o espelho e os que são céticos com relação a ele. Pessoalmente acho que em um futuro não muito distante as câmeras de entrada serão sem espelho.
A Sony deu um passo ousado. Aparentemente não terá mais câmeras aps-c com espelho. E pela resposta as NEX a linha irá continuar a se desenvolver com um possível corpo mais parrudo, a NEX 7. Posso dizer que gostei muito das novas A33 e 55 pelo tamanho e pela responsividade e adoraria experimentar uma destas. E o vídeo também é um grande atrativo. Com uma câmera menor, sem aquela cara de “profissional” as pessoas ficam mais relaxadas. Quando a gente vai tirar uma foto e levanta a câmera até o olho a primeira coisa que a pessoa que está na mira faz é olhar para vc com aquela cara: o que que ele está fazendo?
Já as NEX eu acho que falta um viewfinder. Compor pelo LCD tem suas limitações, especialmente em dia de sol. Mas a cara de compacta junto com o LCD móvel ajuda nestes casos também.

Engraçado que recentemente a Kodak lançou um novo filme, o Portra 400, otimizado para ser escaneado. Quando a gente acho que está acabando, o filme mostra força. Falta aos grandes fabricantes investirem em desenvolvimento de scanner e câmeras de filme novas, quem sabe tem mercado para isto.

10- Tenho uma ligeira impressão que lá fora a coisa é mais simples e o mercado bem mais forte, e as facilidades, maiores … vc acha que a questão do filme é mais complicado em nosso mercado apenas?

Tudo lá fora é mais simples, rs.
O mercado aqui é nanico comparado com Europa, EUA, Japão. Estamos na mão de poucos fornecedores de serviços e mercadorias, impostos enormes. Duvido muito que a Kodak vá lançar este filme por aqui, como também não lançou o seu último filme, o Ektar.

11- Me mostre uma foto sua feita em filme, ou mais de uma, em que vc acha que se fosse em digital não teria a mesma força.

Por causa do compromisso que a gente tem que fazer para não estourar e baixa latitude as sombras ficam com pouco detelhe. E as cores do filme, a riqueza dos tons de verde, vermelho, são bem melhores.
Claro que tem os problemas, balanço de branco, granulação em ISO maior do que 400 e o mais chato, ficar na mão dos labs. Olhe uma foto de exemplo. Em cima uma digitalização do lab em baixo a minha caseira. Isso que desanima.

E o vídeo também é um grande atrativo.“Paulo Machado”

Isto é algo que eu pessoalmente não vejo como uma boa coisa.
Acredito que são mídias que não podem conviver bem em excelência.

E acho tb que a pessoa que busca uma câmera fotográfica com recursos superiores (a nível pró ou semi-pró) não quer ver nela recursos de vídeo.

São mídias diferentes, com propostas diferentes e que são mais atraentes em equipamentos diferentes.

12 – O que vc acha disto?

Tudo que vier é lucro. Se a câmera é boa e além disto tem vídeo melhor ainda. Assim como o auto-HDR, panorama e o que mais aparecer. Claro que eu faço um panorama melhor com o computador, ou HDR, mas não é todo mundo que quer aprender a mexer nos programas e pagar por eles, o que não se aplica muito por aqui.
Assim como certamente uma câmera de vídeo especilizada é melhor, mas custa milhares de dólares e o consumidor final teria medo até de mexer nela.
A tendência atual é a convergência, é isto que o mercado quer e os fabricantes estão atendendo.

Pessoalmente acho que em um futuro não muito distante as câmeras de entrada serão sem espelho.
A Sony deu um passo ousado. Aparentemente não terá mais câmeras aps-c com espelho. E pela resposta as NEX a linha irá continuar a se desenvolver com um possível corpo mais parrudo, a NEX 7.

13- Não seria melhor ( sobretudo em termos de qualidade de imagem) que os fabricantes investissem mais em popularizar as FF do que investir numa nova tecnologia (a retirada do espelho)?

Melhor e uma palavra difícil. As câmeras FF tem vantagens em relação as APS, como o controle do DOF e ISO alto com menos ruído, por exemplo. Mas estas mesmas vantagens podem ser encaradas como desvantagens para alguns tipos de foto. Em paisagens que acabam precisando de f16 para deixar tudo em foco, vc terá que usar tripé, porque as velocidades ficam muito baixas. Ou o fator de crop das APS que potencializa a sua lente 500mm em uma poderosa 750mm. Por outro lado que quer tirar fotos praticamente no escuro com um DOF curto com uma full frame é mais fácil.
Outro limitante é o tamanho do equipamento. Uma Nikon D700 comparada com
uma A55.

Não sei se é a idade, mas acho que hoje em dia estou preferindo as menores. -rs.

Com uma câmera menor, sem aquela cara de “profissional” as pessoas ficam mais relaxadas. Quando a gente vai tirar uma foto e levanta a câmera até o olho a primeira coisa que a pessoa que está na mira faz é olhar para vc com aquela cara: o que que ele está fazendo?

14- Já passou por alguma situação desagradável ou curiosa que possa contar?

Nada de muito diferente. Gente que vira a cara, que reclama, que pergunta em que jornal vai sair, que diz que vai cobrar, estas coisas.
Até nas fotos em que vc pergunta se pode fotografar e a pessoa concorda ela nao fica muito natural.

15- Paulo, pesquei 3 fotos em seu álbum do Flickr em Infrared (para quem não sabe uma técnica de fotografia em Infra Vermelho).

1-

2-

3-

Gostaria que vc comentasse sobre a técnica em si e o que te interessa nela.

Seus experimentos c a técnica IR terminaram ou não necessariamente é um experimento?

Se não é um experimento, em que situações vc acha viável se utilizar do IR?

O sensor das câmeras digitais é sensível a uma faixa de luz não visível, tanto no infra-vermelho quanto no ultra-violeta. A faixa sensível ao infra-vermelho é a proximal, principalmente a luz do sol refletida pelas plantas, e não o infra-vermelho termal, como em equipamentos militares.
Para não haver interferência desta luz não visível nas fotos os fabricantes colocam um filtro anti-IR na frente do sensor, junto com o filtro low-pass. Então dependendo deste filtro a sensibilidade nativa das câmeras ao infra-vermelho varia muito, mas em geral são bem pouco sensíveis, necessitando de exposições na casa dos segundos.
É muito comum lá fora se retirar este filtro anti-IR para poder ser feitas as fotos com uma exposição normal.
Eu me interessei na primeira vez que vi uma foto IR. É como uma terra de sonhos, uma paisem que a gente não consegue ver. Não considero um experimento e sim um tipo de foto que gosto muito, mas não faço por não ter uma câmera adequada. Tem que sempre levar o tripé, fazer a composição sem o filtro, com ele não dá para enxerga nada, colocar o filtro e tirar o foto para depois conferir no histograma. É um pouco demorado.
Os melhores resultados são em em dia de sol e um com nuvens. O céu fica escuro com as nuvens contrastando e a vegetação brilhando com a luz IR. Só de escrever aqui sobre isto me deu vontade de sair para tirar umas fotos IR.

16- Acompanhando a movimentação do DigiForum, o que você tem visto de interessante em termos de fotografia?

Na verdade não acompanho muito o fórum, só a sala do clube Alpha mesmo.

17-Existe algum membro que você se inspire ou acha interessante
indicar sua obra para nós?

O Danilo Shincke que está mostrando um trabalho muito consistente, cada vez melhor. Acho interessante que ele mostra naturalidade para fotografar com grande angular ou tele, geralmente as pessoas ficam mais presas a um tipo de foto, usando mais um tipo de lente e ele não.

18- Nos fale sobre sua participação no Mundo Fotográfico e quais as diferenças que existem entre ele e o DigiForum …

Eu já frequentei mais o Digifórum, mas diminuí bastante há algum tempo. Por ser moderador no MF e acompanhar mais lá não sobra muito tempo para o Digifórum.
O público me parece semelhante, mas nos últimos meses houve um incremento de usuários de DSLR e de filme. Já o BRfoto e o Esquina da Foto tem usuários com outro perfil, mais experientes com outra discussão sobre fotografia, menos focado em equipamentos. Nós é que ganhamos com vários fóruns diferentes.

19- E sendo Moderador lá, provavelmente seu trânsito aos espaços é maior, até pela própria função.
O que vc destacaria de legal que os usuários daqui não tem, e poderiam ver no MF?

Eu acho as salas no Digifórum meio confusas, pelo próprio tamanho do fórum. O MF por ser menor e com menos salas acho que o pessoal circular mais. O que houve lá é que alguns usuários mais antigos estão postando menos e alguns mais novos aumentando a participação, uma renovação.

20- Paulo, onde podemos ver mais de sua produção?

Infelizmente sou preguiçoso para fazer upload das fotos.

Tem algumas no Flickr, http://www.flickr.com/photos/p_machado/,
no Usefilm http://www.usefilm.com/photographer/17672.html e espalhadas
pelo Digifórum e Mundo Fotográfico.

21- Dr.Paulo, gostaria de agradecer a oportunidade e deixar o espaço
aberto para qualquer consideração que vc queira fazer.

Obrigado pela oprtunidade e a mensagem que gostaria de deixar é:
vamos fotografar, não tem nada melhor.

E uma frase do Ansel Adams que gosto muito:

“When words become unclear, I shall focus with photographs. When
images become inadequate, I shall be content with silent.”

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