Em foco: Eduardo Buscariolli.

Eduardo,

Um breve perfil, se possível com a inclusão de uma foto.

Creio que vai ser necessário dar a ficha completa: Eduardo Buscariolli, 48 anos, nascido em São Paulo capital, passei a infância e adolescência em Igarassu-PE e Recife-PE, morei também em São Paulo-SP, Ilha Solteira-SP, São Carlos-SP, Ann Arbor-MI e, finalmente, deitei raizes em Ribeirão Preto-SP. Sou formado em engenheiria eletrônica e atualmente trabalho com marketing e venda de produtos eletrônicos especiais.

1- Como um engenheiro começa a se interessar por fotografia?

Creio que a “arte” veio antes da engenharia. Desde de que me entendo por gente, eu gosto de desenhar e pintar. Escolhi fazer engenharia porque gostava de música e queria aprender projetar equipamentos de audio.

Além do meu pai que gostava de fotografar, tive vários amigos na faculdade que fotografavam. Porém, apesar deles tentarem ensinar, veja só: não gostava de fotografia. Erroneamente considerava fotografia como uma coisa menor, pois entendia que a fotografia era dependente do que está na frente da objetiva e, portanto, seria amarrada a isso, sendo limitada na capacidade de expressão. Por outro lado o desenho e pintura eram muito mais poderosos, pois o único limite era a capacidade de imaginar e os sentimentos que cada ser humano carrega.

Entre 1998 e 2002, já fazia algum tempo que já havia me graduado e pós graduado em engenharia, eu tocava minha empresa, e tinha que rodar bastante pelas estradas do estado de São Paulo. E nessas andanças comecei a ver coisas que valeriam a pena serem registradas – cenas, paisagens, etc… – e é claro que não dá para registrar isso desenhando. Além disso, comecei a perceber que já tinha morado e passado por diversos lugares e não tinha nada que registrasse todos esses lugares. Assim nasceu a vontade de ter um digitalzinha, como as que começaram aparecer no mercado. Uma digitalzinha funcionaria como uma espécie de alívio para a memória. Comprei uma Polaroid de 0,7MP com capacidade de 16 fotos por 150 dolares.

Assim começou: primeiro vem a câmera, aí a gente se pergunta como fazer para os registros mediocres tornem-se algo bonito, capaz de falar alguma coisa: estuda-se composição, observação da luz, técnica fotográfica, etc… em pouco tempo a gente vai consolidando o que foi aprendido, ganhando eloquência e estofo. Entretanto, ainda não tinha me livrado do conceito que tinha até então: fotografia era limitada ao registro do que estava na frente da objetiva e portanto incompleta, assim, cedo ou tarde teria que voltar aos pincéis. Mas graças aos exercicios autorais criados aqui no Digiforum e a alguma literatura pude dar uma grande salto e enterrar os pinceis.

2- Considerando a fotografia como algo”menor” em algum momento isto lhe voltou à cabeça e vc pensou: “Poxa, fotografia … que besteira, larga isto pra lá … “

Não me recordo de ter pensado dessa forma: “besteira, esquece”… Olha só, cada forma de arte – fotografia, pintura, gravura, música, poesia,vídeo, cinema – encompassa uma parte do gama de idéias, conceitos, questionamentos, sentimentos intrínsecos ao ser humano. Por pura ignorância, eu considerava, que escala inerenteà fotografia, limitada em relação a outras formas de expressão visual.

Deixe-me explicar melhor. Creio já ter contado isso diversas vezes: creio que foi em 1981, tive a oportunidade de ver alguns quadros do René Magritte. Ver ao vivo, podendo quase encostar o nariz no quadro, ver nunces da textura do quadro e, sobretudo, vier ali tudo o que tinha imagina fazer.

Ora, a não ser você faça uma escultura, use o photoshop ou faça uma montagem, você não consegue fazer ou expressar coisa similar com uma câmera. O surreal de Magritte foi uma comparação rasa, é possível apontar uma série de limites tanto temáticos como técnicos. Mas o principal limite, que eu via, era a liberdade: a mente vai mais longe que a câmera.

Reforço, hoje já não penso assim, existem limites, mas eu faço diversas trapaças. E com essas trapaças, chego até onde queria chegar com a pintura: a câmera continua espelho do real, mas distorço esse real. Além disso, são esses limites que fazem a fotografia ser o que é.

3)Eduardo, Isso que você aponta é muito interessante. Me parece que a fotografia vai ganhar respeito, num primeiro momento, em função de sua característica de documento “autêntico”; e a pintura perde “respeito”, exatamente por ser intermediada pelos aspectos subjetivos do autor. Ou seja, numa fotografia se podia “confiar”, já numa pintura não…
Com a possibilidade de se alterar a autenticidade de fotografias em laboratórios ou computadores a fotografia perde sua confiabilidade como documento confiável.
Se isso está correto, o que se perde e o que se ganha com essa modificação do status da fotografia????
– “Marcos Borges Filho

Pergunta complexa essa, mas vou dar meu pitaco. Não creio que seja por aí.

Até onde sei, historicamente, desde que foi inventada, a fotografia se alterna nesta discussão: espelho do real ou não. Steinglitz e, antes dele, Alfred Lichtwark entenderam que a evolução da fotografia era relacionada ao deslocamento de instrumento de registro para objeto de arte. No caso de Steiglitz conhecemos os desdobramentos, no caso de Lichtwark, os desdobramentos foram muito interessantes: os fotografos que ganharam espaço ignoravam completamente o processo “dry-plate” – que era a tecnologia mais fiel – e adotavam impressões em, por exemplo, goma bicromatada. Isso porque a perícia ou intervenção do artista na elaborção das cópias eram mais valorizadas que a fidelidade a cena. Assim, a foto era considerada um objeto resultante da ação de um artifície, portanto um objeto de valor.

Então o que aconteceu? Tenho uma hipótese: se tomarmos os nomes que todos tem na ponta da línqua e estão no pináculo da fotografia arte, desde o pós segunda guerra, é possível rastrear suas a influências ao fortalecimento do fotojornalismo, que tem por principio básico a fidelidade à cena e a não intervenção do autor.

É também possível rastrear as influências dessa turma, que todos temos na ponta de língua, que é chamada por alguns historiadores de “Exact Camera” – nada a ver com a marca Exakta, e sim com a exatidão das fotografias – às raizes do modernismo. Sendo que o modernismo, de certa forma, valorizava ou convergia para a erradicação do “eu” na obra, a extadidão da câmera e algumas vezes até sobrevalorizando maracutaias perceptivas em detrimento do assunto.

Nesse segundo momento, a foto não é mais considerado um objeto. A cópia não tem valor, pois os elementos dos processos são insumos industriais produzidos em massa. O valor está na informação contida na cópia ou não – a assinatura, a legenda. O objeto é o conteúdo.

A partir disso pode-se intuir que não haja ganho ou perdas a partir de alteração do status de espelho do real da fotografia. Pois, fora do raio de alcance de Bresson e afins, existiram/existem diversos outros fotógrafos contrários a essa linha de pensamento que são valorizados – só não são conhecidos por aqui por causa do peso sobrevalorizado do cadáver modernista.

Para mim, valorizar a fotografia como arte, é relacionado a tranformação da fotografia seja a cópia ou o conteúdo, em objeto. Não depende dessa relação de fidelidade ao real.

“pude dar uma grande salto e enterrar os pinceis.” – “Eduardo Buscariolli.”

4) Poste uma ou mais fotos que marcam essa passagem.

A foto decisiva foi essa:

Sim trata-se de uma escada de piscina. Porém sob a superfície agitada pelo vento pude entender que a fluidez que pensava ser impossível de se conseguir com usando uma máquina fotográfica, poderia ser conseguida usando a água como espelho ou meio ótico. A partir do entedimento que dava para subverter a câmera foi um passo rápido para realizar idéias pendentes a muito tempo.

E depois veio essa série, um pouco mais dificil de realizar, mas que gosto muito.

O espaço entre as fotos é de duas semanas.

5) Eduardo, apesar de eu saber e entender que muitas destas fotografias têm valor mais para os autores do que p os observadores (devido ao caráter pessoal, devido ao caminho mais íntimo proposto e até pela dificuldade de entendimento mesmo) onde vc acha que estes “experimentos” (entre aspas porque eu acredito que na verdade não são puramente experiências) podem levar?

O que podem acrescentar a quem vê?

Fale um pouco sobre estas suas “experiências”.

Não entendi sua pergunta. Onde que eu quero chegar? Ou para onde o que faço pode levar?

De qualquer forma são perguntas interessantes. Existem diversas facetas, gosto de experimentar abordagens diferentes. As vezes uma idéia aparece, faço tentativas, mas as guardo para um momento melhor, em que julgo que poderão se encaixar no processo de busca pessoal.

Apesar das facetas, há uma linha mestra: gosto da incerteza, da introspeção. De olhar para as fotos, minhas e de outros, e reconstruir, conectar os pontos, reconstruir a imagem.Nas minhas fotos, isso não se limita à organicidade expressa por uma metodologia ou por um conceito estético. Este, o método, é a saída adotada como meio de expressão de um ponto de vista.

Eu vejo fotografia, como uma relação entre dois vetores, do objeto para a câmera e o fotógrafo para câmera. Muitas vezes, para mim, o segundo vetor tem mais força. É claro, não me furto a fotografar a um por-de-sol, uma paisagem, gatos admirando o mundo, etc… mas preocupa-me a realção que tenho com isso ou o que quero com isso. Embora, estaria mentindo se dissesse que sempre consigo expressar o que penso, creio que me aproximo mais da vontade original, com os trabalhos “experimentais”, do que com as fotos “descritivas”.

Porém é importante não colocar o carro na frente dos bois: a vontade é a mola mestra da estética. Não é o contrário, pois o contrário é a falsidade. É claro que antes de se entregar à vontade, há o estudo, o desenvolvimento tanto técnico como conceitual. Assim, o que faço não é simplesmente jogar a câmera para ar e ver o que acontece. Tenho método, há uma lógica construtiva, ou pelo menos tento. Ao invés de entregar um um texto completo, prefiro entregar pontos aos quais espero que o expectador os conecte. As pessoas, TODAS ELAS, são dotadas de inteligência e sensibilidade, e portanto são capazes de conectar estes pontos.

A minha lógica de trabalho, baseia-se no fato que temos respostas institivas comuns. Deixo o detalhamento disso aos especialistas em semiologia ou coisa parecida, mas tento usar essas repostas como diretivas na leitura da imagem. De modo simplista: pode-se registrar um céu nublado ou expressar as relações causa/efeitos emotivos provocadas pelo céu nublado. Prefiro a segunda. Estas repostas emotivas, embora dispersas, são delineáveis e de senso mais ou menos comum. Com isso, através destas repostas ou impressões, tento ou gostaria de compartilhar com o expectador uma opinião sobre o mundo, que não é certo ou sólido e cuja compreensão foge da lógica do real.

Você aponta uma dificuldade de entendimento. Eu aceito essa dificuldade em aceitar a abstração. Eu mesmo muitas vezes tenho essa dificuldade. Isso é uma caracteristica da lógica modernista enraizada na mentalidade geral, que ignora essa capacidade do ser humano de conectar os pontos, e que parte do principio da negação da individualidade, procurando cercar ao máximo a interpretação. Ora, tal coisa não é completamente verdadeira, não é possível conseguir tal nível objetividade. Essa afirmação não é minha, muitos críticos – Franz Roh, criador do Realismo Mágico, por exemplo – e artistas afirmam que algo emana da imagem e esse algo é relacionado a capacidade do ser humano de abstrair ou sonhar. Isso para não entrar no papo de experiência fenomenológica…

Assim, mesmo nas fotos, digamos convencionais, valorizo mais o “mood” do o que eventualmente pode se encontrar impresso.

Antes que alguém jogue pedras, é salutar frisar que tudo o que escrevo, passa longe da fotografia comercial. Esse é outro departamento, em outro andar de outro prédio.

6- Pois é!!! Pegando carona na pergunta acima do Peri.
Me parece que uma fotografia só ganha sentido a partir do olhar de um outro. Fotografar pode até dar prazer, mas não me parece real que o fotógrafo se satisfaça fechado numa mônoda com sua foto. Ou seja, pra que olhares você hoje fotografa? Assim como na música, na fotografia exitem os fotógrafos banda Calypso e os fotógrafos Renato Borghetti (pra não radicalizar)?
– “Marcos Borges Filho.”

Marcos, eu recentemente optei por separar os trabalhos em albuns diferentes e deixei de me preocupar com divulgar os trabalhos. O fato de separar os trabalhos em dois albuns o experimental e convencional fez com que eu perdesse um pouco o controle em termos numéricos e qualitativos.

Eu deixei de divulgar os trabalhos porque o meio online deixou de ser o meio primário. Devagarinho, um coisa exposta aqui, outra ali, mas o mais importante é que não é o meio online, pois a fotografia, não importa o conteúdo, só se fecha quando é impressa e exposta – fotografia comercial não conta. A minha meta expor em praças públicas.

Quanto ao público, como disse anteriormente a fotografia atualmente tem uma dimensão diferente, ela não pode mais ser abordada tal como vinha sendo feito anteirior a digitalização. Tanto a fotografia em si, como a sua divulgação foi facilitada. O problema é que estamos falando de milhões de milhões de pessoas que agora podem se dedicar a fotografia, que não vão somente tirar algumas fotos da familia. Uma parcela dessa pessoas querem se aprimorar um pouco mais. Para uma parcela destes, os cânones praticados até o momento ou estão saturados ou não correspondem as expectativas pessoais – ou seja vão preferir Uakti a Axé.

Daí não é surpresa que cada uma das fotos acima tiveram 600 visitas no JPG Magazine, que é não orientado para relacionamento, tal como é o Flickr. Ou a publicação online Sentido Vago, feito em conjunto com outros fotografos com visão similar, do Câmara Obscura, teve mais de 2000 downloads e olha que estamos falando de um tijolo com mais de 20MB.

Ou a publicação online Sentido Vago, feito em conjunto com outros fotografos com visão similar, do Câmara Obscura, – “Eduardo Buscariolli.”

7-Recentemente vc desenvolveu um trabalho muito interessante de pesquisa histórica, publicado em conjunto em seu Multiply e no Câmera Obscura.

O que foi esta pesquisa e o por quê dela?
Existiu alguma diretriz anterior para que vc se aprofundasse nestas questões, ou foi algo simplesmente de sua curiosidade mesmo?

Fale um pouco também sobre alguns pontos especificamente:

7.1- A sua participação e a orientaçao para o concebimento da publicação on line “Sentido Vago”, inclusive com a indicação do link para que possamos apreciar o conteúdo, e,

7.2- Sua contribuição junto ao Câmera Obscura.

Primeiro com relação ao “De Weimar a Gursky” que na verdade ainda não acabou, ainda estou devendo mais alguns capítulos.

Sabe, sempre tenho muitas perguntas e algumas quase-certezas no tocante a fotografia. Uma dessas quase certezas é que a preferência estética, apesar de uma certa universalisação, é fruto de um série fatores que vão desde a conjuntura histórica, sócio-politica, até mesmo particularidades geográficas. Assim, para mim, o individuo se expressa conforme o meio onde está imerso. Assim motivador inicial dessa pesquisa foi o “ECO – Encuentro de Coletivos”. Para corroborar essa relação estética/conjuntura fui dar uma olhada em cada um dos trabalhos publicados nos sites de cada um dos coletivos: e sim, existem diferenças estéticas e de temática entre europeus e latinos americanos. As vezes são sutis, mas existem. Outro motivador inicial desta pesquisa, como o próprio texto explica, partiu do interesse na música de alguns grupos alemães da década de setenta. Música é sempre inspiradora. Uma vez satisfeito o interesse discográfico, veio o interesse na fotografia praticada nesse período.

Comecei a escrever sobre isso e submeti a algumas pessoas. O João Menna Barreto alertou-me que para provar essa relação estética/sócio-política, eu deveria me aprofundar nas conexões, pois não dava para ficar no meio do caminho, sob o risco de ser um amontoado de achismos. Então o que era algumas páginas de um texto, cresceu e ganhou corpo e, suponho, alguma consistência. Eu sou engenheiro, não sou sociológo, filósofo ou coisa parecida, assim optei por adotar uma linguagem fácil ou que eu uso. O mais importante, entretanto, não foi publicá-lo, o mais importante é a possibilidade de entender muita coisa na linguagem da fotografia, antes e depois dos periodos analisado.

Como você mencionou está sendo publicado pelo Rodrigo Pereira no Câmara Obscura e no Zeitgeist! Eu Acredito! , um blog que eu criei para conter esses textos, direcionados para aqueles que assim como eu tem dificuldades com letras pequenas – é sério, quando se estar perto de dobrar a esquina dos cinquenta, essas coisas começam a pesar…rs… Mas indubitávelmente o blog Câmara Obscura tem repercussão maior.

O Grupo Câmara Obscura é um projeto tocado pelo Rodrigo F. Pereira como parte do blog dele, é quase uma espécie de coletivo, direcionado a discussão aprofundada sobre fotografia, autores, linguagens e desenvolvimento de projetos em grupo ou pessoais.

De lá já sairam dois livros ou publicações online. A primeiro foi o Sentido Vago e o segundo foi Transformações . Embora menos estruturado, considero o Sentido Vago melhor, pois tem mais pegada, é mais rock-n-roll. O nome Sentido Vago, surgiu porque o livro era um apanhado dos trabalhos de cada, não havendo um direcionamento ou sentido específico. Transformações já é um trabalho mais complexo, onde foi discutido um tema e fechado um projeto. Cada um dos participantes se propos a trabalhar em cima dessa tema, dando a sua visão sobre o tema Transformações. O f/508 foi convidado para participar e foi escolhido o Humberto Lemos como curador. O interessante foi que, uma vez escolhido o tema, até a data limite para apresentação dos trabalhos, o assunto foi fechado, ou seja, ninguém podia mostrar os trabalhos ou comentá-los. Os trabalhos só foram compartilhados, após a curadoria. Esse cuidado foi tomado para evitar influência interna, forçando cada um dos participantes a expor somente a sua interpreção, sem referências cruzadas.

Trabalhar com um curador foi uma experência interessante. O curador não diz se sua fotografia é boa ou ruim, mas ele diz quais as fotos, dentro de um conjunto, se enquadram dentro de uma proposta global. Então aprende-se não se apegar aos seus parâmetros, uma vez que as fotos que consideramos boas, podem não ser necessariamente adequadas ao projeto. E uma vez que entrou no jogo, deve-se acatar a preferência do curador.

8-Eu sempre vejo você muito “pesquisador” enquanto ser pensante da fotografia.Talvez esteja errado, mas percebo que você mais pesquisa que publica.
Que peso o ítem “Pesquisa” tem em seus trabalhos no campo da fotografia especificamente?

Sim, pesquiso bastante. Primeiro, é óbvio, porque eu gosto de fotografia. A fotografia, ao contrário do que pensei um dia, é algo que abrange uma gama muito grande de situações. Pode parecer que não há muito sentido discutir ou ficar esquentando a mufla sobre “minesis da fotografia”, “o traço do real” ou outras conversar arenosas. Mas são essas discussões que promovem, pelo menos para mim, e estimulam idéias, validando as visões e opções adotadas na fotografia – não que precise de validação, mas é interessante ter um suporte teórico para as vontades.

Além disso, quando a gente resolve aprender sobre fotografia, a gente corre atrás todos os aspectos técnicos: fotometria, composição, blá, blá… mas se esquece de aprimorar ou destilar os motivos. Não que o aspecto técnico seja irrelevante, absolutamente, o aspecto técnico é fundamental, mas eles sozinhos são tão emocionantes quanto uma esferográfica gasta. A pesquisa serve para encontrar o contexto que levaram outros a se expressar de uma determinada forma, e assim encontrar paralelos ou referências para o que faço ou pretendo. Acredito essa seja uma forma de fazer a fotografia ganhar nervos e sangue.

Acho que fica mais fácil com um exemplo. Tomemos essa foto de Weston.

“Uma bela foto do deserto?”. Sim uma bela foto de deserto, mas há mais aí. Weston, até onde eu sei era um cara que amava as mulheres, várias, – desculpem o machismo – não no sentido bíblico. Não é um chute longo, supor que que aí ele não está somente fotografando o deserto. Com essas formas, ele está fazendo uma representação do corpo femino. Para mim, o interesse em fazer esse tipo de afimação ou leitura, está em entender que elementos ele usou para expressar o que queria, mas isso requer se pesquise motivos do autor.

9-O seu projeto de expor em praça pública (que você uma vez sugeriu que eu fizesse) ainda está de pé?Tem caminhado no assunto ou ainda é algo incipiente, só no campo das idéias?

Sim, continua de pé e vai sair, entretanto por conta do trabalho estou postergando para o ano que vem.

Talvez fosse necessário dividir com os amigos do DF o que lhe falei: uma vez tive a oportunidade de ver minhas fotos expostas numa praça, por iniciativa dos Amigos da Fotografia de Ribeirão Preto. Vinte fotos minhas expostas para gente que não está acostumada a ver fotos fora do contexto comercial ou jornalistico. Foi uma experiência reveladora, o trabalho assume outra dimensão. E assim propus ao Peri que fizesse o mesmo, principalmente nos locais onde vivem os seus fotografados, para compartilhar essa paixão pela fotografia, como uma forma de retribuição às pessoas que ele fotografa e para sentir a reação das pessoas. Pois assim ele faria suas fotos completarem um ciclo.

Aproveito para fazer uma convocação aos amigos do DF: praticar fotografia requer um certo nível de engajamento. Façam cópias 25×38 de suas fotos, cópias de minilab dá jogo – não precisa ser cópias em papel de algodão caro. Escolha uma praça movimentada num final de semana, estique um pedaço de barbante e pendure suas fotos. Não tem coragem de fazer sozinho? Melhor, junte a galera que participa desses encontros fotográficos para fazer isso. As pessoas que não tem experiência em fotografia são as melhores expectadoras, pois não tem a blindagem técnica para julgar as fotos. Se puder ser num lugar mais simples melhor ainda. Mas o importante é expor as fotos fora do contexto do computador, onde todos vêm, mas ninguém enxerga. Garanto: compartilhar suas fotos dessa forma será uma experiência reveladora.

10- Vou pinçar uma frase sua … ela está fora do contexto, mas é isto mesmo que eu quero.

… praticar fotografia requer um certo nível de engajamento.-“Eduardo Buscariolli

Esquecendo do contexto em que ela foi dita e lendo apenas a frase, discorra sobre ela.
É algo que sempre falo e que eu gostaria de ouvir mais opiniões sobre este aspecto.

Hum, ficou fora de contexto, porque usei a expressão “certo”. Se é algo que você sempre fala, então estamos de acordo. Fotografia, assim como qualquer forma de arte requer engajamento. A arte não deve ser um discurso fechada em si mesmo.

É necessário está engajado com a luz. É necessário o engajamento emocional ou empatia com o que fotografa e com os resultados . É necessário estar engajado com a vida e seus nuances, porque somente dessa forma é conhecer seus motivos pessoais, criando essa empatia com cena e dotando o trabalho de humores. É necessário colocar-se em eterno estado de aprendizado, não só com a fotografia, mas com tudo que se relaciona a cultura, porque é necessário saber o que será dito e é preciso saber como fazê-lo. Somente através dessas formas de engajamento, é possível, deslocar a fotografia do simples registro inócuo, em algo maior.

A fotografia mais prazeirosa acontece quando tudo entra em fase: percebe-se o alinhamento de todas as variantes contidas na cena, técnicas e pessoais, e se consegue antever o resultado desejado.

11- Eduardo, qual sua opinão sobre a crítica da fotografia de Vilem Flusser? – “Vítor Chaves

Em diversos aspectos a crítica fetia por Flusser é bastante pertinente. Em “A Filosofia da Caixa Preta” o ele aponta e critica o enrosco causada pelo dogma que estabelece a “verdade” como algo intrínseco ao aparato fotográfico. Esse dogma que era compatível com lógica do “coletivo-exato”, plantada em conjunção com a massificação ensejada pela era industrial no periodo do entre guerras. Isso foi multiplicado e prolongado até os dias atuais. Concordo que isso foi multiplicado a tal ponto que a visão do mundo passa a ser intermediado pela “imagem-técnica” (fotografia), o descritivo, em substituição ao texto, que substitui a imaginação.

Já virou a coisa mais natural, quase instintiva: “uma imagem vale mais que mil palavras”. Aliás costumo brincar: a palavra corrompe, logo uma imagem corrompe mil vezes mais.

Observo com frenquência, o que Flusser critica, quando as pessoas mostram fotos para compartilhar o mundo que elas veem, que é muito diferente de usar a fotografia para compartilhar a opinão sobre o mundo que vemos. Contentamo-nos em reproduzir o mundo, munidos de um aparelho que usamos, inconscientes de sua existência, quase como uma extensão do corpo– coloco na primeira pessoa porque não sou diferente.

O advento das digitais, torna a crítica de Flusser ainda mais pertinente, porque distancia o homem da imagem tradicional. Erroneamente julga-se haver controle sobre o que é feito, mas sob um ponto vista macroscópico não existe tal controle. Quem algum dia viu uma cópia surgir numa cuba ou lavou a goma não fixada pelo bicromato entende minimamento a imaterialidade das digitais. Por isso acredito fortemente que fotografia só se completa quando impressa, quando tornam-se objetos.

Discordo um pouco que de Flusser, em “A Filosofia da Caixa Preta”, quando ele argumenta de modo imperativo que somente o experimentalismo poderia quebrar esse paradigma. Primeiro, parace-me que ele não previu, o fim da fotografia como imagem-técnica. Sim, fotografia tal como vemos hoje está com os dias contados: não está longe o dia onde sistemas de reprodução de vídeo mais eficientes e tão baratos quanto uma cópia. Essa será a proxima etapa da imagem-técnica. Isso não será ruim – note que não falei que fotografia vai morrer – acontecerá o que aconteceu com a pintura: apesar de Baudelaire e muitos outros, sapaterarem sobre a cueca, a pintura saiu mais forte do processo. E assim a fotografia sairá mais forte, sem o peso de ser necessariamente espelho do real.

Segundo, para mim, não é somente o experimentalismo, pois a visão crítica sobre a fotografia e seus limites, também, atuam nos sentido de quebrar esse modelo criticado por Flusser. Qualquer um que pretenda se colocar como emissor de sua opinião sobre o mundo ou usar conscientemente a fotografia com veiculo da imaginação, vai, em certo momento, se impor sobre esse modelo e seus limites.

Não sei se é necessário, para os amigos que não conhecem Flusser.

A Filosofia da Caixa Preta está disponível para donwload legal – Link.

12- Eduardo,

O que vc tem visto de interessante em termos de fotografia que possa indicar pra gente?

Primeiro, é legal uma vista ao galeria do Paris Photo 2010 – link . É uma mostra marcada pela pluralidade, tanto em termos temporais, como em termos de nacionalidades ou modos de ver o mundo.

Para mim é um tanto dificil de falar de artistas, pois na medida do possível procuro ver o máximo de coisas possível, concentrando-me no que vejo, ora procurando o que quero ver, ora, simplismente, apreciando. Assim convidar-me para falar de artistas que gosto é um risco, porque posso encher páginas e páginas

Bernd e Hilla Bercher

Seria o engenheiro falando forte? Pode ser. Bernd e Hilla Bercher estão na raiz da fotografia alemã contemporânea. Ao contrário do que poderiamos supor, seu trabalho não se reduz a uma espécie de arquelogia industrial. Não existe uma proposta nostalgica nos trabalhos. Não é nada disso. Bern e Hilla Bercher na verdade fazem um inventário de formas, um catálogo tipológico de formas funcionais, retomando o avant gard e fornecendo uma ponte, sobre a turbulência do periodo nacionalista e o auge do fotojornalismo do pós guerra. Abaixo está a forma correta como os trabalhos devem ser apresentados.

Peter Cornelius, era foto jornalista, é considerado um dos primeiros fotojornalista do a trabalhar de modo não experimental com cores (não tenho como confirmar essa informação). Gosto de suas fotos, principalmente de esportes naúticos, por causa de leveza e da dinâmica, sendo que as vezes promovem uma camada de leitura adicional, que fala de formas. Vale uma visita ao site, é só buscar na web.

Auguste Sander, este é um deste fotografos que por muito pouco – muito pouco mesmo – não sumiu da história sem deixar rastros na história. Os nazistas destruiram uma parte de seus arquivos, outra parte foi destruida pelos bombardeios aliados, o que restou de seus negativos de vidro, quase foi esquecido, até ser redescoberto e adquirido por um banco. Para mim, é a prova cabal que, em se tratando de retratos, quanto mais objetivo se tenta ser, mas a objetividade pretendida lhe escapa. A postura distante e imparcial, que ele adotava, para mim torna suas fotografias mais reais, mais humanas, ´pois os fotografados mostravam como se viviam no mundo – vestiam as máscaras que acreditavam melhor representá-los.

Chega de velharia: Melanie Wiora, com formação acadêmica em artes e design gráfico, é classificada na europa como a geração dos 30-40 anos, portanto a nova geração. No site existem duas séries de trabalho, “outside is in me” e “eyescapes”, ambos carregados de simbologia. Em “Outside is in me”, ela trabalha com arquétipos e o espaço, ambos idealizados em sentidos opostos. Porém, rostos, reduzidos a seus traços, e o espaço, se fundem, interligando o seus personagens e o espaço. Com os rostos proximos a objetiva e o espaço, ela monta um dialogo entre o interior e a percepção do mundo.

Acho que “eyescapes”, dispensam explicações.

Hiroshi Sugimoto e Toru Aoki , ainda não os estudei adequadamente, por hora penso que ambos apresentam soluções que podem ser incorporadas ao meu trabalho. São mais viscerais, dispensam ou não cabem palavras. Sugimoto, acho que todos conhecem, ou deveriam, já que é capa de um álbuns mais fracos do U2 – uma foto boa, para muito ô-Ô-ô-Ô… rs… e tem também a clássica série de fotos em cinemas.

Hiroshi Sugimoto

Toru Aoki

Por fim, David Glat , creio que suas Pérolas Imperfeitas dispensa explicações.

13- Há algum tempo atrás, fizemos parte de um grupo no DigiForum que redefiniu alguns rumos na seção FC’s.
Numa destas decisões, praticamente por uma idéia sua, a seção foi subdividida e foi criada a FC-Clínicas, que é onde gostaria de me concentrar.
A proposta era uma sub-seção para Novatos ou Iniciantes, ou que mesmo não os fossem, mas que tivessem um espaço onde pudessem partir do “zero” e desenvolver-se na fotografia.
Um local, quase que especificamente, de auxílio e direcionamentos, progressos.

13.1- Como você vê a seção hoje depois de criação, acha que o proposto naquela época surtiu efeito?

Eu acho que sim. Agora pouco vi que a Fotoclinica tem 2426 posts contra 2906 posts na Fotocritica e 216 post na Fotocritica Avançada, que obviamente não deu certo. Eu só conheço outros dois forums, fora o DF, em um deles eu tenho certeza que se algum iniciante postar uma foto, vai ser esculhambado por gente que tem ego maior que a capacidade de fazer fotografia. Aqui no DF não tem isso.

A fotografia segue uma curva de aprendizado. Fotografar não é um ato natural, ninguém nasce sabendo, assim é normal que as primeiras fotos de alguém que está iniciando resultem em questões e dúvidas. Se essa pessoa postar no flickr ou qualquer outro album, orientado para o relacionamento, vai ser muito dificil obter um feedback válido. Na FC, ainda que a foto receba somente um comentário, o iniciante vai terá um feedback que será direcionado a fotografia. Portanto, eu vejo um efeito aí um efeito positivo, sim.

13.2- Que espécie de ajuda pode-se dar a estas pessoas e quem são os que podem ajudar especificamente?

Recapitulando o que conversamos quando a Fotoclínica foi concebida: ao expor uma foto, o usuário muitas vezes quer ouvir como poderia melhorar. É um tanto diferente de submeter uma foto a julgamento. Penso que qualquer um pode ajudar, não precisa ser um fotografo com anos de experiência, basta olhar uma foto e ver, ou tentar ver, o que a foto está falando ou poderia falar. Para mim, nenhum aprendizado técnico ultrapassará isso: saber ver ou ouvir o que os outros veem.

Não precisa de muito, para ajudar na FC, basta concetrar-se no que é o objetivo da fotografia, o objetivo da fotografia não é a composição ou a fotometria. O objetivo da fotografia é o sentido da visão e interpreção do que é visto – seja o resultado validado como “belo” ou não. Claro, que composição ou fotometria não se chegará longe. Muitas vezes, mesmo sem conhecer a pessoa, com duas ou três olhadas nas fotos percebe-se onde essa pessoa quer chegar e o poderia fazer para chegar lá.

13.3- O que uma opinião como a sua, notadamente um estudioso da fotografia, pode acrescentar, e que peso tem, a um Novato por exemplo?

Esse “notadamente” denota… Tá tirando onda da minha cara, mano?…rs…

Ainda, neste exato momento, 28/08/2010, 20:30Hrs, temos 26 posts na primeira página da FC, uma delas tem pretensão comercial, ou utilitária. Isso dá aproximadamente 3%. Vamos ser conservadores e supor que 25% posts tem proposta utilitária. O que são os outros 75%? São pessoas que por alguma razão, que por motivos diversos, resolveram que é importante registrar o mundo que lhes cerca, na medida do possível enquadrando essa visão, dentro dos cânones determinam a beleza – ainda que essa beleza seja saturada e muitas vezes irrelevante.

Muitas vezes, quando alguém decide fotografar, há um processo de transformação em curso, um processo de tomada de consciência para o mundo que nos cerca. Quando alguém diz: “isso vale a pena fotografar”, quer o assunto, seja um por-de-sol, o filho(a), a rua, um objeto, etc… essa pessoa começa a deixar de ser expectador anestesiado, tomando consciência do mundo. O “X” da questão está no fato que mundo é percebido por diversas dimensões – não só espaço tempo – sendo necessário fazê-lo caber somente duas dimensões. Aí o fotografo tem que tomar decisões para fazer caber tudo isso no espaço fotográfico, passando a operar num nível desconectado da realidade. E é nisso que penso que FC ajuda: entender que é preciso ir além da percepção do que nos cerca, entender o que se pretende, separar as componentes e processá-las conforme à mecânica inerente a fotografia.

14- Eduardo,

Depois desta bela entrevista, que para mim funcionou mais como um agradável bate-papo, a derradeira pergunta:

Como e por que a fotografia lhe dá prazer?

Peri, o “como” e o “porquê” tem forte ligação. No momento existem dois aspectos relacionados a fotografia que considero prazeirosos. O primeiro é ver-me refletido numa foto. Veja, o momento que cada um vive, é resultado da convergência de um monte de coisas que tornam as pessoas diferentes umas das outras. Obviamente, não é possivel falar de tudo isso numa única foto, assim como não será possível fazê-lo através de palavras ou qualquer outro meio de expressão. Porém uma foto, pode falar muita coisa. E as vezes, estando consciente do nos rodeia, surge uma conexão: algo que vemos, apresenta possibilidade de representar, num pequeno retângulo, uma parte do que somos, pensamos ou acreditamos.

Aí quando tudo se alinha, a foto saiu e consigo ver: “taí, funcionou, tem a ver comigo” é inegável o prazer obtido.

É um tanto claro, que não é todo dia que uma gaivota entra na frente da objetiva, como se tivesse entendido o que queria – não para mim. Assim é necessário buscar ou construir aquilo que entendo me representar ou meus conceitos. Esse é o Projeto, buscar o mostivos e desenvolvê-los objetivando um resultado. Embora viável, é um caminho complicado, mas quando acontece também é igualmente prazeiroso.

O outro aspecto é a utilidade. Existe essa constante busca para aperfeiçoamento, muitas vezes mesmo sendo amadores, gastamos tempo e recursos – fala sério, mesmo sendo franciscano, já gastei um montante considerável – e assim surge a pergunta, para que tudo isso? Assim uma das minha preocupações tem sido em dar uma utilidade para isso.

Fui a um bosque local tentar retratar o comportamento estúpido de algums pessoas. Saiu essa foto, que depois foi escolhida para compor uma exposição em um congresso de APA´s.

Comitiva de Folia de Reis – nesse dia todos as comitivas do festival, voltaram para suas cidades com um CD de fotos deles, em retribuição pelas outras tantas fotos tiradas no passado.

Essa utilidade tem sido um outro tipo de prazer, proporcionado pela fotografia: fotografar tendo em mente algo em que se acredita – uma bandeira – e fazer que foi expresso pela foto, seguir em favor de algo construtivo. Cara, quando você encaixa uma foto sua neste contexto, surge um senso de realização muito grande. Talvez até mais poderoso que ver uma foto selecionada para uma coletiva ou coisa parecida, porque ao fotografar tiramos algo do mundo e de alguma forma temos que retribuir isso.

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1- Participação especial: Marcos Borges Filho e Vítor Chaves.

2- Links para as páginas do entrevistado na web:

2.1- Multiply.

2.2- Flickr.

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